TORI NO ICHI – Parte II

A ideia de dar ao kumadê um valor adicional foi uma estratégia comercial bem sucedida. Atualmente são penduradas nele inúmeras outras coisas como: koban (moeda da Era Edo de elevado valor); o peixe Tai (ou peixe pargo, escolhido por rimar com medetai, palavra usada para expressar boa ventura. A beleza desse peixe o faz indispensável nas ocasiões de festas); sacas de arroz (o arroz sempre foi o principal alimento e simbolizava riqueza); grou e tartarugas (esses animais simbolizam longevidade, conforme o ditado: Tsuru wa sennen, kame wa mannen, que significa “O grou vive mil anos e a tartaruga, dez mil”).

Exemplo de Kumadê

Outros objetos relacionados à proteção e boa sorte são Pinheiro/bambu/ameixeira (o pinheiro, por ter suas folhas perenes, simboliza a vida imutável; bambu simboliza a retidão e o crescimento vigoroso; a ameixeira, que floresce no início da primavera, simboliza uma beleza que supera as adversidades); porta-amuleto (amuletos recebidos nos templos xintoístas: figuras com imagens ou escritos que as pessoas carregam juntos de si ou fixam na parede de sua casa para afastar desgraças ou malefícios); seta e alvo (para que as metas traçadas sejam alcançadas); plaqueta com a inscrição shoobai hanoo (sucesso nos negócios e prosperidade); outra plaqueta com a inscrição kanai anzen (bem estar da família, para que tenha saúde e nada de negativo aconteça); martelinho (acredita-se que ele realiza qualquer desejo se agitá-lo), etc.

Será isso uma mostra de como o homem moderno recorre a Deus para realizar seus desejos?

Segundo contam, quanto mais recessivo o ano for, a procura pelo ancinho é maior. No ato da compra, o comprador e o vendedor realizam juntos o teuchi (bater palmas ao mesmo tempo). Este objeto que atrai sorte é adquirido antes da passagem do ano, colocado na parede ou no santuário de família e as pessoas oram para que o novo ano traga boas venturas. Mesmo nessa era de alta tecnologia, estas tradições ainda continuam sendo seguidas.

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